sexta-feira, 3 de junho de 2011

Etapa 5 - Carcoboso - Fuenteroble de Salvatierra


98km - 1100m acumulado

O dia começou novamente cedo, com despertar pelas 06:30.

Pequeno alomoço no hostal onde pernoitamos e siga para o Caminho. A manhã estava fresca mas nada de muito frio.

Fomos percorrendo o resto do deserto que nos faltou ontem (deserto, no sentido em que literalmente não se vê ninguém ao longo de dezenas de km's) e novamente com paisagens verdadeiramente incríveis.

Começamos a não ter palavras para descrever todos os locais por onde passamos.

Ao km 21, encontramos o simbolo central da Via da Prata: o Arco de Cáparra. Trata-se de um arco de 4 pilares, já descrito por Ptolomeu e é indescritivel a sensação de estar num local tão mitico onde se cruzam tanta gente desde tempos imemoriais.



Depois desta paragem obrigatoria para fotos e registos, fomos superar Puerto de Bejar, a 900m de altitude. Foi uma subida de 8km desde Baños de Montemayor e que nos levou ao topo.

Pelo meio fizemos uma pausa para almoço volante (a já famosa bocadillo de jamon) que tinhamos comprado no inicio da manha.

As imagens e locais continuaram a ser inimaginaveis, atravessando varios trechos de agua onde nos tivemos que aplicar para os transpor.



Tinhamos previsto ficar em S.P. Rozados, mas quando chegamos a Fuenteroble de Salvatierra, fomos tao bem acolhidos pelos voluntarios do Albergue do Padre Bras, que decidimos ficar.

Um albergue gratuito que sobrevive e é mantido apenas com os donativos que os peregrinos lá deixam.

98km depois estavamos a descansar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Etapa 4 - Caceres - Carcoboso


98km - 850m acumulado

Saimos de Caceres por volta das 07:30, e logo entramos no Caminho. Tinhamos decidido tomar o pequeno almoço ainda em Caceres mas tal nao foi possivel. Parariamos assim que encontrassemos um café aberto.

Tivemos direito a uma trialeira espectacular e paisagens verdadeiramente admiraveis...Nem tinhamos fome para parar...Apenas nos limitavamos a contemplar o que nos rodeava, ajudado pelos primeiros raios do dia.

O sol estava a brilhar mas uma brisa proporcionava excelentes condições para pedalar.
Depois de Casar de Caceres, e de um belo pequeno almoço (tostada com tomate e azeite), seguimos para mais trilhos soberdos e novamente paisagens de encantar.


Tinhamos a companhia do silêncio e do vento...ovelhas..vacas...e muitas águias e falcões. Um sonho !

De seguida, entramos numa calçada romana em descida, e de tao espectacular que era, que o atrelado entusiasmou-se e ganhando vida propria ultrapassou a bicicleta e saltou fora...Pensamos o pior...mas afinal tinha apenas desencaixado.


Depois deste pequeno susto, continuamos a descer até ficarmos bem perto do Rio Tejo. Fomo-nos cruzando com outros peregrinos, a pé e bicicleta até Cañaveral, onde almocamos debaixo de uma esplanada.

Da parte da tarde, iniciamos uma verdadeira travessia do deserto, debaixo de um calor tórrido e com poucos pontos de abastecimento de agua.

Por volta das 17:30, chegamos a Carcaboso e ponderamos a hipótese de seguir até Oliva de Placencia, uma vez que esta zona não tem muitas soluçoes para pernoitar.

O dia já ia longo e decidimos ficar por aqui, juntamente com outros bicigrinos.

Esta etapa já está, amanha continuamos a travessia do deserto.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Etapa 3 - Torremejia - Caceres


91km - 780m acumulado

A noite foi passada...ao som de uns belos roncares de outros peregrinos, que nos impossibilitaram de repousar completamente do dia anterior.

O dia amanheceu com bastante nevoeiro, o que nos obrigou no decorrer dos primeiros km's, a usar as luzes reflectoras de presença.

O inicio do Caminho parecia prometedor e lá fomos com todas as ganas para cima da terra...
Poucos metros tinhamos percorrido no Caminho, quando o barro nos pregou a partida que nunca queriamos. Aderiu aos pneus com força tal que quase nos afundamos...No fundo, foram 5 minutos a entrar no Caminho...e 45 para sair dele.

Fomos obrigados a trabalhos forçados para arrancar todo o barro das bicicletas, e só em Merida conseguimos dar uma bela banhoca às ditas.




A visita a Merida confirmou as nossas expectativas uma vez que se trata de uma cidade histórica e considerada a capital da Via da Prata.

Perante tamanho deslumbramento, acabamos por nos esquecer de um pormenor muito importante: carimbar a credencial em Merida...Ficamos inconsoláveis...

Depois de Merida e até Valedesalor, optamos por efectuar o Caminho por estrada, uma vez que ainda conseguiamos ver o barro em partes do percurso do caminho.

Os últimos 14 km, voltamos a entrar no caminho e fazer este percurso em terreno seco e satisfazer o gosto de voltar a pisar a terra...sem barro!!

Ave Caceres !!!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Etapa 2 - El Real de la Jara - Torremejia

123km - 900m acumulado

O dia começou nublado e a chuva depressa se fez sentir.
Por coincidencia ou nao, paramos para tomar o pequeno almoço e a chuva abrandou.

Iria ser o dia da chuva...

Estavamos avisados que em caso de chuva, e como o terreno é muito barroso, poderiamos ter grandes dificuldades de progressao. A alternativa é percorrer o Caminho por estrada, que em muito pontos fica a 1m da estrada.
Assim fizemos...e foi a melhor opção.

Fomos avançando pelo Caminho sempre ladeado olivais, vinhas e até paineis solares...


Na chegada a Zafra, uma primeira tempestade estava prestes a rebentar...apenas tivemos tempo de sair da estrada e abrigar-nos numa oficina de pneus. Aqui, esperamos até que a chuva passasse.

Aproveitamos esta pausa, e optamos por outra solução para o almoço...o Lidl estava ali bem perto e lá fomos fazer as compras para o repasto. O S.Pedro permitiu-nos um piquenique ao ar livre.

Como o andamento estava a ser bastante forte, pusemos a ideia de ir ficar a Merida. No entanto, a partir de Almendralejo, uma familia bem escura de nuvens aproximava-se cada mais de nós. Ainda tentamos fugir mas não foi possivel.




Os últimos 10km foram verdadeiramente molhados...um verdadeiro dilúvio que deu para ficarmos literalmente ensopados. Nunca tinhamos ficado assim.


O albergue estava proximo e em Torremejia e com excelentes condiçoes que nos permitiu tomar um bom duche e descansar desta longa jornada. Merida fica para amanhã.


Depois da tempestade veio a bonança e no final do dia ainda deu para colocar a roupa a secar.



Esperamos que as tormentas acalmem para prosseguirmos rumo a Santiago.

Etapa 1 - Sevilha - El Real de la Jara



83 km - 1450m acumulado


Chegou finalmente o dia...


E que dia...vai ser dificil descrevê-lo por palavras..mas vamos tentar.

O tiro de partida foi dado pelo nosso amigo Sousa, que foi ter connosco ao albergue por voltas das 06:15, e onde se despediu de nós e tirou algumas fotos no momento zero.





De seguida, fomos directos à Catedral para a foto da praxe e dar início oficial à Via da Prata.

Vamos ter que filtrar algumas destas fotos, dado que o fotógrafo de serviço estava com demasiado alcool no sangue. :) Mas o que é certo que é que acertou no botão de disparo..

Mesmo à saída de Sevilha, paramos para admirar e registar fotograficamente o marco dos 1000km..

Fomo-nos afastando da cidade e desembrulhando o caminho, pelas localidades de Camas, Santiponce. Entre Santiponce e Guilhena, mergulhamos na terra e demos início a uma das mais belas etapas que percorremos.

Campos repletos de girassóis foram a nossa companhia durante uma dezena de km's.

O dia, e ao contrário do que estavamos à espera, estava magnifico para a practica do BTT, e pudemos disfrutar de toda esta beleza.


Após Castilblanco de los Arroyos, o caminho era comum com a estrada nacional (num carrosel de subidas e descidas em asfalto), com a vantagem de o transito ser muito reduzido.

Entramos no parque do Berrocal e aqui percorremos 17km de uma paisagem absolutamente fantástica, até Almaden de la Plata. O percurso fabuloso e onde tivemos o primeiro contacto com os animais à solta...




Depois, bem, depois veio o Calvário...na verdade definição da palavra. Uma parede com 2km de extensão que nos obrigou a uma dose de esforço redobrada. É que tinhamos o atrelado para carregar...

Chegados ao cume, a vista era divinal e todo o espaço em 360 graus estava ao alcance da nossa vista: sentimo-nos com a visão de um pássaro.

Como normalmente após uma subida vem uma descida, assim foi. Iniciamos um novo calvário...

A descia era muito íngreme, cheias de pedras e valas profundas que nos obrigaram a redobrado cuidado. Nunca demoramos tanto a descer...

Os últimos 20km foram para atravessar várias herdades dividas por cancelas que tinhamos que abrir e voltar fechar, para que os animais não fugissem. Atravessamos várias linhas de água e percorremos alguns km bem junto de animais como vacas, porcos, ovelhas, touros, cavalos e muitos pássaros...

Cumprimos o planificado e tivemos direito a um verdadeiro dia de BTT.




Já deu para perceber que este caminho tem uma beleza ímpar...mas muito duro!

Cada etapa percorrida é uma vitória e esta já conseguimos.

sábado, 28 de maio de 2011

Hola Sevilla!

Chegou finalmente o dia...

Partida do Porto eram 07:30 a bordo de um Volvo S60, comandado pelo General Sousa e sua comissária de bordo Fátima.
Viagem tranquila, com direito a serviço de bordo de maças, queijadas e bebidas. Um luxo!

Pausa técnica em Zafra para umas tapas e relaxamento de pernas.

Chegada a Sevilha pelas 15:30 e sob um sol abrasador de 32ºc...Esperemos que amanhã esteja mais fresco...

Check-in no albergue e a primeira dificuldade...obter credencial personalizada da Via da Prata...

Infelizmente, estavam esgotadas e ainda percorremos Sevilha à procura da dita credencial.

Tivemos que nos conformar com uma credencial com o percurso do Caminho Francês.

Chegou a hora de repor energias e jantamos numa bela terraza, com direito a futebol e procissão.









Preparação da primeira etapa de amanhã, com equipamento preparado para sair bem cedo e aproveitar a frescura da manhã.

A estratégia deverá passar por pedalar o mais possível durante a manhã e retomar ao final da tarde, até que o sol nos permita.

O calor não vai dar tréguas !

Amanhã começa a nossa Via !

domingo, 22 de maio de 2011

Peregrino

"Mundo inquietante, mundo fascinante. Este espaço (tempo) vive de caminhar. Faz-se caminho assim. Esperando que alguma parte da beleza do mundo aqui se guarde, fugaz. E que o Peregrino, mesmo cansado, inquieto sempre,possa ser dos que seguem o caminho mais incerto e mais belo, mesmo que o horizonte seja longínquo. Por onde se encontra a senda da beleza do mundo, que se perde na rotina e na banalidade". (Texto recolhido na net)

Ser Peregrino é estar desperto para o que nos rodeia e disponível para ser solidário.